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Chocalhos

Desde tempos imemoriais que na Vila de Alcáçovas existe a arte dos chocalhos. Os chocalhos no Alentejo foram sempre expressão gritante de domínio, de exaltação rústica, e da grandeza que se casa com a grandeza ambiente.

Em Portugal não haverá muitos locais onde se fabricam chocalhos, e, segundo cremos, cada vez haverá menos.

De acordo com José Augusto do Rosario (1928), esta actividade desenvolve-se nesta vila desde há desde longos tempos. Apesar dos muitos anos passados da edição do Livro “A vila de Alcáçovas”,.onde, entre muitos temas, se descreve “A industria tradicional da vila” é uma descrição que se mantém bastante actual, a qual se passa a citar:

”… Muitas são a aldeias, vilas e cidades que através dos tempos conseguem manter uma especialização industrial ou artística, que é como que o fácies característico e inconfundível que as torna conhecidas.

Alcáçovas também possui a sua indústria própria, especial, única, através do qual o seu nome tem tornado conhecido. Acima de tudo, com a patine do tempo, existem ainda algumas oficinas de chocalhos, a cuja laboração vamos referir-nos especialmente, para lhe ser dado o justo e merecido relevo.

Quem foi o primeiro chocalheiro em Alcáçovas? Em que época se estabeleceu essa industria? São perguntas que, infelizmente, não é possível dar uma resposta, nem mesmo hipotética, pois nenhuns dados, por mais insignificantes, existem para se fazer um juízo seguro ou partir de uma base merecedora de crédito.

Apenas se sabe que há mais de duzentos anos tal industria ali existe, vindo a perpetuar-se de geração em geração, na posse de três ou quatro famílias, cujos ramos se têm alargado e dividido.

Também em Reguengos de Monsaraz existe uma oficina de chocalhos, fundada pelo único indivíduo estranho às suas famílias detentoras da industria, o qual em Alcáçovas fez a sua aprendizagem com um antigo chocalheiro, o que foi quasi considerado como um sacrilégio, como um acto de traição à comunidade.

Apesar da sua antiguidade e de a terem exercido centenas de indivíduos, tal indústria encontra-se hoje como nos seus tempos iniciais no que respeita a desenvolvimento material.

É certo que a própria essência da indústria determina um estado natural menos limpo, mas estamos convencidos de que um pouco de vontade faria romper as malhas da rotina, modificando as antiquadas condições do seu trabalho. Conhecemos oficinas que estão hoje talqualmente como estavam há 40 anos, tudo indicando que esse estado seja o dos seus princípios. Pois passaram sobre elas duas ou três gerações de trabalhadores incansáveis!

A fabricação dos chocalhos, embora primitiva, não deixa de ser interessante, sofrendo uma serie de operações curiosas.

Nas grandes chapas de folha de Flandres se talham os chocalhos, conforme o tamanho ou a qualidade que se deseja. Ainda hoje industrias fazem uso de uma palhinha para medir a folha, em logar de uma fita métrica ou de um metro articulado! A força do habito!...

Cortadas essa folhas, por enorme tesoura fixa no banco de trabalho, à direita do artista, logo lhes são dados quatro golpes em sentido inverso. As partes separadas encaixam umas nas outras, na operação de enrolamento do chocalho. Depois é debruado com pequenas tiras de folha. A seguir, ao alto, é aberto um furo, onde se coloca o céu, ou gancho, que há de mais tarde segurar o badalo. Procede-se à colocação da asa. Todas estas partes do chocalho são distintas, como se está verificando. Pode parecer que o chocalho está completo, mas, não. Não está pronto.

Numa lagem, ou pedra grande, se amassa uma porção de barro misturado com cisco e  moinha, que vae servir para embarrar o chocalho em bruto, sobre o qual e dentro se colocaram previamente uns tantos pedaços de metal.

Tambem tem o seu quê de curioso o acto de embarrar. Espalma-se o barro de modo a cobrir por completo o chocalho.Com um ferro se abre nesse barro um furo ou respiradouro. Colocam-se uns tantos chocalhos numa forja, até atingirem a incandescência, depois do que se retiram e são rebolados no chão liso, por um certo tempo, em seguida ao que se fazem imergir na água de um tino, para esfriarem por completo e para que o chocalho tome a cor acobreada que deve ter.

Mais tarde, esse barro cozido é partido e os seus resíduos, o coscumalho, são aproveitados para terraplanar as azinhagas publicas.

Está quasi pronto o chocalho, que vae sofrer as ultimas operações, uma das quais é a afinação. Isto é, por uma serie de marteladas macias no interior do debrum, vae-se procurando o som mais agradável e límpido, claro e ressoante. É a mais delicada operação do oficial, que ali tem a parte artística da sua obra!

Por ultimo, coloca-se o badalo, que é uma pequena parte da folha cortada em triangulo, que numa anfractuosidade do banco de madeira se vae enrolando à martelada, ficando com a cabeça própria, devido a uma ou duas dobras na parte mais larga. Finalmente, está concluído o chocalho, que dentro de grandes e velhos caixões de madeira vae aguardar a sua hora de partida, para desempenhar a sua missão – sabe-se lá por onde!...

Não será possível que num futuro mais ou menos distante surja um maquinismo apropriado á factura de chocalhos, pondo de parte as velhas ferramentas e evitando a perda de tanto tempo precioso com a execução e colaboração das peças que entram no seu conjunto? Estamos convencidos de que assim há de suceder e , então, a industria regional dos chocalhos em alcáçovas poderá expandir-se notavelmente, tornando-se para aquela vila uma verdadeira fonte de riqueza.

Teem varias designações os chocalhos. São o reboleiro, a picadeira, os piquetes,  as serranas, etc., etc., todos com características especiaes, de maior ou menor dimensão, chegando as serranas a atingir 45 centimetros de comprimento, do debrum á asa; e os chamados guiso de furão que se fazem com um e dois centímetros de comprimento, numa obra de paciência e de vontade.

Estas desataviadas notas não teem nem podem ter outro propósito que não seja o de tornar conhecida uma industria nocional muito apreciável e aproveitável e, ao mesmo tempo, frizar o valor da histórica vila das Alcáçovas, a vetusta Castraleucas dos romanos, em épocas remotas tão distinguida e apreciada pelos Reis e gentis-homens da corte e hoje tão esquecida e despresada por todos os que de qualquer modo a podiam fazer ressurgir da letargia em que jaz há tanto tempo!...

 

 

 

Os Chocalheiros

Chocalhos Pardalinho
Zona Industrial de Alcáçovas, lote 3
7090 - 001  Alcáçovas
Tel./Fax: 266 954 394 / 266 954 427

Gregório Sim-Sim
Rua de São Francisco, nº 8
7090 - 039 Alcáçovas
Tel.: 266 954 270

Franklin Sim-Sim
Travessa de São Teotónio, nº 1
7090 - 998 Alcáçovas
Tel.: 266 954 135

«Museu do Chocalho» de João Chibeles Penetra
Rua da Esperança, 152/4
7090 - 029 Alcáçovas
Tel.: 965 741 282

Chocalhos de Maria Francisca Serrinha Loupa e de Joaquim Manuel Sim-Sim
Rua da Esperança, 108
7090 - 029 Alcáçovas
Tel./Fax: 266 954 138